Serei um burro vendado incaracterizável?

Porquê que o simples facto de eu ter uma opinião sobre um determinado assunto faz com que eu seja considerado por algumas pessoas quer como um “burro vendado” que merecia ser aniquilado, quer como uma pessoa “não caracterizável sem recorrer a asneiras“?

A mim não me faz diferença que o aborto vença ou não o referendo (sempre fui muito centrista em relação ao assunto), mas incomoda-me que eu não possa exprimir a minha opinião livremente e sem ser alvo de agressões verbais! Será que é assim tão dificil assimilar os conceitos de “liberdade de expressão” e respeito pelos outros?


Nota: o facto de ambos os comentários acima virem de apoiantes do sim é mera coincidência. Apenas de todos os artigos que li sobre o tema até ao momento (quer pelo Sim, quer pelo Não) acho que estes dois comentários são, no mínimo, muito infelizes.

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  • 7 Responses to “Serei um burro vendado incaracterizável?”

    1. Rui Moura Says:

      Muita gente tem uma dificuldade impressionante de aceitar e pensar acerca das opiniões dos outros. Não ligues muito ;)

    2. vitor Says:

      Rui, não é que eu ligue muito ao assunto, mas apenas achei que tinha de manifestar o meu desagrado publicamente, umas vez que as pessoas em questão também se sentiram no direito de insultar os outros publicamente.

    3. Pedro Timóteo Says:

      Não me espantaria se alguns comentários mais estúpidos e rudes fossem, na verdade, de quem está do outro lado. É como se eu (que sou a favor do Sim) fosse para alguma discussão a dizer que todos os que votam “sim” são assassinos de criancinhas, que mereciam cadeira eléctrica, etc… de certa forma, estaria a virar as pessoas contra o “não”.

      Não o faria, no entanto, porque isso seria desonesto e cobarde.

      Para mim, a questão é mais simples. Um lado acredita que o que é moral é reduzir o sofrimento humano.

      O outro lado acredita que a moralidade e o sofrimento não têm nada a ver… e ainda por cima acredita que tem o direito de decidir o que os outros podem ou não fazer.

      Acho que não insultei ninguém com o que escrevi acima… :) mas imagino que alguns se possam sentir ofendidos (”estás-me a dizer que quero controlar os outros?!?”). Aliás, já o constatei no meu blog pessoal recentemente: há muita gente para quem a frase “acho que estás errado” é um insulto pessoal…

    4. Carlos Says:

      Governo deve tomar medidas em vez de pedir ao povo a solução

      Não ! - Não à legalização do aborto através da falsa bandeira (engodo) da despenalização !

      A despenalização do aborto é outra forma enganadora de combater o aborto. O número de interrupções de gravidez, no mínimo, triplicará (uma vez que passa a ser legal) e o aborto clandestino continuará - porque a partir das 10 semanas continua a ser crime e porque muitas grávidas não se vão servir de uma unidade hospitalar para abortar, para não serem reconhecidas publicamente.
      O governo com o referendo o que pretende é lavar um pouco as mãos e transferir para o povo a escolha de uma solução que não passa, em qualquer uma das duas opções, de efeito transitório e ineficaz.
      Penso que o problema ficaria resolvido, quase a 90 %, se o governo, em vez de gastar milhões no SNS, adoptassem medidas de fundo, como estas:

      1 – Eliminação da penalização em vigor (sem adopção do aborto livre) e, em substituição, introdução de medidas de dissuasão ao aborto e de incentivo à natalidade – apoio hospitalar (aconselhamentos e acompanhamento da gravidez) e incentivos financeiros. (Exemplo: 50 € - 60 € - 70€ - 80€ - 90€ - 100€ - 110€ - 120€ -130€, a receber no fim de cada um dos 9 meses de gravidez). O valor total a receber (810€) seria mais ou menos equivalente ao que o SNS prevê gastar para a execução de cada aborto. (*)

      2 – Introdução de apoios a Instituições de Apoio à Grávida. Incentivos à criação de novas instituições.

      3 – Introdução/incremento de políticas estruturadas de planeamento familiar e educação sexual.

      4 – Aceleração do “Processo de Adopção”.

      (*) Se alguma mulher depois de receber estes incentivos, recorresse ao aborto clandestino, teria que devolver as importâncias entretanto recebidas (desincentivo ao aborto). [Não sei se seria conveniente estabelecer uma coima para a atitude unilateralmente tomada, quebrando o relacionamento amistoso (de confinaça e de ajuda) com a unidade de saúde].

      Estou para ver se os políticos vão introduzir, a curto prazo, algumas deste tipo de medidas. É que o povo, mais do que nunca, vai estar atento à evolução desta problemática.

    5. vitor Says:

      Pedro. Embora nao me pareça que tenho sido o caso desta vez, o que tu relatas no primeiro paragrafo infelizmente é algo que acontece muito no nosso pais :-(, principalmente em assuntos relacionados com a politica…

      Quanto ao aborto, acho que muitas das pessoas do Não também discordam do sofrimento humano e querem acabar com ele. O que acontece é que se um lado despenalização é visto como liberalização, do outro nado a não-liberalização é vista como proibição. Eu acho que a haver referendo, seria para aprovar ou não uma proposta de lei concreta (as palavras exactas que iriam aparecer na constituição, ou lá onde as leis são publicadas :-) ).
      Neste momento, o conceito de despenalização é um pouco vago quanto ao futuro. Enquanto que uns dizem que o aborto vai passar a ser uma “moda”, outros dizem que apenas vai servir para evitar sofrimento. Qual será a realidade no futuro? Eu não sei, mas gostava que fosse a segunda opção. Provavelmente, será algo que se encaixa entre estes dois extremos.

    6. vitor Says:

      @Carlos: “Governo deve tomar medidas em vez de pedir ao povo a solução”.
      Concordo plenamente. Em vez de terem gasto tanto tempo e dinheiro com isto, o parlamento deveria ter trabalhado em conjunto para encontrar uma lei que possibilitasse o aborto em casos de necessidade, quer monetaria, quer social.
      No fundo, era extender/mudar a lei actual para permitir o aborto a casais com dificuldades financeiras ou sociais.

    7. Mário Lopes Says:

      Vitor,

      O Governo não fez isso porque seria demasiado escandaloso propôr a liberalização. Assim vai escamoteado sob a forma de despenalização e quando choverem as críticas às clínicas privadas que agora se preparam para se instalarem em Portugal então a desculpa será fácil “Temos o apoio dos Portugueses”.

      Boa, velha política.

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